O governo de Donald Trump mudou de tom, mas não de objetivo: restaurar um regime tarifário mais agressivo. Em relatório de 98 páginas, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, concluiu que dezenas de parceiros não impõem barreiras suficientes a bens produzidos com trabalho forçado e propôs uma tarifa geral mínima de 10%, com alíquotas de até 12,5% para países considerados mais omissos — entre eles China, Brasil, Japão e Índia.

A nova abordagem é deliberada e jurídica. Após reveses em cortes sobre o uso de poderes de emergência e uma tentativa temporária pela Seção 122 que foi barrada por tribunal, a administração recorre agora à Seção 301, autoridade já usada no primeiro mandato de Trump e livre de limitações explícitas de duração ou nível tarifário. Isso torna as medidas potencialmente mais permanentes do que os episódios anteriores.

Para o Brasil, o sinal é concreto: setores exportadores de metais — alumínio, aço e cobre — ficam expostos a barreiras adicionais que podem encarecer as vendas ao mercado americano. A proposta está em consulta pública até 6 de julho, com audiências previstas no dia 7; o calendário curto amplia a necessidade de reação diplomática e técnica por parte do governo e das empresas afetadas.

Economicamente, tarifas precisas e seletivas podem reduzir a flexibilidade das cadeias globais e elevar custos para consumidores e indústrias dependentes de insumos importados. Politicamente, a manobra é um instrumento de pressão externa que tende a obrigar respostas coordenadas — lobby empresarial, sinalização comercial e risco de retaliação — sem a teatralidade das redes sociais, mas com maior previsibilidade jurídica.

A retomada metódica das tarifas acende alerta para governos e empresas: o protecionismo volta a ser uma política plausível e com ferramentas legais robustas. Para o Brasil, o desafio imediato é minimizar impacto econômico e transformar a janela de consulta em ação diplomática e comercial que preserve mercados e evite escalada de medidas protecionistas.