O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que “se lembrará” das empresas que optarem por não solicitar reembolsos pelas tarifas consideradas ilegais pela Suprema Corte. Em entrevista à CNBC, citou relatos de que Apple e Amazon ainda não haviam pedido compensação, e qualificou o pagamento de tarifas por importadores como um gesto patriótico, sugerindo que a abstenção seria vista favoravelmente pela administração.

A fala expõe uma forte carga política sobre uma decisão técnica: a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA abriu um portal eletrônico, chamado Cape, para processar pedidos que podem somar até US$166 bilhões. O processo operacional começou na segunda-feira (20) em sua maior parte sem falhas graves, mas o juiz Richard Eaton, do Tribunal de Comércio Internacional, determinou uma suspensão temporária e pediu um relatório de progresso até 28 de abril — e deu ao governo até 7 de junho para eventual recurso.

O quadro jurídico e administrativo preserva dúvidas práticas: especialistas ouvidos no caso dizem não esperar alteração imediata no processamento, mas os pagamentos só devem ocorrer 60 a 90 dias após a aceitação dos pedidos. Enquanto isso, algumas empresas — como Costco, FedEx e Mondelez — já acionaram a Justiça para garantir o reembolso mais rápido; outras, entre elas Walmart e Amazon, têm evitado litígio, possivelmente para não atrair retaliação política.

Além do impacto direto nos caixas corporativos, a crise revela custo político e risco de imprevisibilidade para o comércio exterior. A intenção declarada da Casa Branca de buscar alternativas tarifárias via Seção 301 aponta para nova rodada de medidas que podem gerar receita, mas também exigir processos administrativos e prolongar a incerteza. Em suma: a disputa mistura cálculo jurídico, pressão pública e sinalização política, forçando empresas a ponderar entre direitos legais e risco reputacional.