Em entrevista à CNBC nesta terça-feira (21), Donald Trump afirmou que, embora não seja contra fusões em princípio, não aprova uma eventual combinação entre United Airlines e American Airlines. Segundo o ex-presidente, ele conhece a direção da United e reconhece que ambas as empresas "estão indo muito bem", mas não gosta da ideia da união das duas.
A possibilidade foi apontada por fontes após o CEO da United, Scott Kirby, ter levantado o tema em reunião com Trump no fim de fevereiro. A American, porém, comunicou na sexta-feira anterior que não tem interesse em se fundir com a United. A combinação das duas representaria a maior consolidação do setor em mais de uma década, num mercado doméstico já concentrado em quatro grandes companhias.
Não gosto da ideia de elas se fundirem.
Incluindo rotas internacionais, United e American figuravam em 2025 como as duas maiores por capacidade disponível, segundo dados da OAG — um indicador de que a operação teria impacto relevante na oferta e na dinâmica competitiva. Ao mesmo tempo, a discussão sobre a Spirit Airlines traz outra dimensão: a empresa está em processo de falência e Trump disse que "adoraria que alguém comprasse" a Spirit, lembrando que são cerca de 14.000 empregos e sugerindo que o poder público poderia intervir.
O episódio reacende o debate regulatório: em 2024 o governo Biden acionou a Justiça para impedir a fusão entre Spirit e JetBlue alegando risco à concorrência e aumento de tarifas. A posição agora manifestada por Trump expõe tensões entre discurso de proteção à concorrência e preocupações com emprego e sustentabilidade das empresas. Para o setor, a combinação de sinais políticos e jurídicos aumenta a incerteza sobre estratégias futuras e sobre a margem de manobra das companhias diante de questões de concentração e regulação.