O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na sexta-feira que não deu instruções a Scott Bessent para intervir no mercado de títulos. Segundo o relato oficial, Bessent decidiu por conta própria ampliar recompras de títulos do Tesouro após um anúncio surpresa que duplicou o volume esperado dessas operações.
O próprio secretário do Tesouro, ex-gestor de fundos de hedge, sinalizou que o governo poderia elevar ainda mais as recompras. Inicialmente as medidas provocaram queda nos rendimentos dos títulos, mas até sexta parte desse movimento já havia sido revertida pelos mercados, que seguem sensíveis a sinais sobre a dívida soberana e a trajetória da inflação.
O episódio expõe duas questões relevantes: primeiro, a percepção de falta de coordenação entre palácio e Tesouro, que complica a comunicação da política econômica; segundo, a eficácia limitada de intervenções pontuais quando fatores estruturais — elevação da dívida pública e inflação persistente acima de 2% — continuam a pressionar os rendimentos de longo prazo.
Para a administração, a ação de Bessent tende a gerar custos políticos e sinalizar reações administrativas de caráter emergencial. No mercado, a rápida reversão das quedas indica que, sem mudança nas perspectivas fiscais e monetárias, operações isoladas têm efeito temporário e oferecem pouco conforto à confiança dos investidores.