O presidente dos EUA partiu para Pequim acompanhado por uma comitiva empresarial que inclui o CEO da Nvidia, Jensen Huang, em uma tentativa explícita de pressionar Xi Jinping a “abrir” o mercado para companhias americanas. É a primeira visita presidencial aos EUA à China em quase uma década — um movimento que mistura objetivos econômicos e cálculo político, numa fase em que Trump busca recuperar fôlego após a escalada no Oriente Médio.
A presença de Huang não é simbólica: a Nvidia enfrenta entraves regulatórios para vender seus chips de inteligência artificial H200 na China, e empresas do setor aparecem na comitiva como resolutoras de impasses comerciais. A estratégia também envolveu negociações paralelas — o principal negociador comercial americano, Scott Bessent, concluiu conversas com autoridades chinesas na Coreia do Sul para tentar manter o acordo frágil firmado no ano passado.
Além do comércio e da tecnologia, a agenda bilateral inclui temas sensíveis como a guerra no Irã e a venda de armas dos EUA a Taiwan — um pacote de US$14 bilhões que aguarda aprovação. Pequim reiterou oposição a esse tipo de transação, enquanto Washington reafirma obrigações legais de fornecer meios de defesa à ilha, o que complica a margem de manobra diplomática durante a visita.
O resultado prático da missão é incerto. Uma abertura chinesa sobre chips poderia aliviar cadeias produtivas e beneficiar empresas americanas, mas qualquer avanço dependerá da disposição de Pequim em ceder diante de demandas que tocam segurança e transferência tecnológica. Politicamente, um acordo ou gesto favorável daria fôlego à narrativa econômica de Trump; por outro lado, falhas nas negociações expõem limites do poder de pressão americano e mantém o clima de instabilidade comercial entre as duas maiores economias do mundo.