A Uber decidiu suspender a maior parte da expansão planejada para seu serviço de entrega de comida na Europa, segundo reportagem do Financial Times. A retração ocorre poucos meses após o anúncio das metas e acompanha a tentativa da companhia de adquirir a concorrente alemã Delivery Hero.

De acordo com a reportagem, a empresa não lançará o serviço em cinco dos sete mercados que havia listado para 2024 — entre eles Áustria, Noruega e Grécia —, enquanto outros dois alvos não foram identificados publicamente. Em maio, a Delivery Hero informou ter recebido oferta de 33 euros por ação; a Reuters noticiou que a Uber elevou sua fatia na empresa de cerca de 25% para quase 37% após aquisição de participação da Aspex Management. Nem a Delivery Hero nem a Uber comentaram a reportagem do FT.

O movimento sinaliza uma mudança de prioridade: em vez de expansão orgânica agressiva, a Uber parece apostar em consolidação via participação acionária e potencial aquisição. A empresa já disse ao FT que os lançamentos na Finlândia e na Dinamarca tiveram bom desempenho e que a prioridade agora é manter o ritmo nos mercados existentes. Para investidores e concorrentes locais, a decisão reduz despesas imediatas, mas também limita a captura rápida de mercado prevista — havia expectativa de até US$ 1 bilhão adicionais em reservas brutas em três anos.

No plano competitivo, a aposta em comprar uma rival levanta dúvidas sobre impacto na concorrência e em operadores locais, além de expor a estratégia da Uber a riscos regulatórios e à reação do mercado acionário. O caso seguirá como indicador chave: o sucesso da aquisição e a capacidade da empresa de integrar operações definirão se o recuo foi uma contenção racional de custos ou um sinal de dificuldades de escala na Europa.