A União Europeia aprovou nesta quarta-feira um acordo provisório sobre a legislação necessária para eliminar tarifas de importação sobre produtos industriais dos Estados Unidos, um dos pontos centrais do entendimento firmado entre os dois blocos em julho. Pelo texto acordado, a UE também prevê conceder acesso preferencial a produtos agrícolas e marítimos americanos, enquanto Washington manteria tarifas de 15% sobre a maioria dos produtos europeus como parte do mesmo pacote.

Quase dez meses após o compromisso inicial firmado no resort escocês de Turnberry, o Parlamento Europeu e o Conselho — que representa os governos nacionais — concordaram com um texto que permite a entrada em vigor das reduções de tarifas acompanhadas de salvaguardas caso os EUA voltem atrás. A presidente da Comissão Europeia saudou o avanço e pediu celeridade aos colegisladores para concluir o processo.

O desenho final busca cumprir o prazo exigido por Washington: o governo Trump havia condicionado a manutenção dos compromissos a uma implementação até 4 de julho, e havia ameaçado elevar tarifas, inclusive sobre automóveis, em escalas superiores às atualmente vigentes. Parlamentares europeus chegaram a suspender duas vezes a tramitação da lei em função das ameaças e de revezes legais nos EUA que afetaram a agenda tarifária transatlântica.

Politicamente, o acordo reduz o risco imediato de uma guerra tarifária bilateral e restabelece previsibilidade no comércio transatlântico. Economicamente, porém, traz custos de negociação: a UE abre espaço a acesso para setores americanos e assume a dependência de salvaguardas que só surtiriam efeito se acionadas com eficiência. Resta ao Parlamento votar o texto final em meados de junho — ação decisiva para evitar a escalada prometida por Washington e para testar a resistência interna ao pacote nas capitais europeias.