Após nove horas de negociações, governos da UE e parlamentares selaram um acordo provisório que relaxa partes centrais da Lei de Inteligência Artificial. O pacto precisa ainda ser ratificado formalmente pelo Conselho da UE e pelo Parlamento nos próximos meses, mas já mudou prazos e escopo de regras que entraram em vigor em 2024.
Entre os pontos principais está o adiamento da aplicação de normas para sistemas de alto risco — incluindo biometria, infraestrutura crítica e uso pela polícia — de 2 de agosto (prazo anterior) para 2 de dezembro de 2027. O texto também exclui maquinário industrial do escopo da lei, atendendo a pedidos de grandes fabricantes como Siemens e ASML, e prevê marca d'água obrigatória para conteúdo gerado por IA e proibição de aplicativos que geram imagens sexualmente explícitas não autorizadas.
Autoridades que defenderam o acordo afirmaram que a revisão reduz encargos administrativos recorrentes e protege a competitividade das empresas europeias frente a rivais dos EUA e Ásia. Por outro lado, organizações de defesa do consumidor lamentaram a diluição das medidas, enquanto grupos do setor de tecnologia disseram que o pacote ainda poderia ir mais longe — sinal de que o texto tenta conciliar interesses opostos sem eliminar tensões políticas.
Do ponto de vista econômico e institucional, o acordo oferece alívio de curto prazo para indústrias que apontavam sobreposição regulatória. Mas a decisão também acende alerta sobre o custo da acomodação: ao suavizar controles, a UE corre o risco de perder parte da liderança normativa global em IA e enfrentar críticas por priorizar facilidades às empresas em detrimento da proteção de cidadãos. O resultado exigirá que reguladores europeus justifiquem o adiamento e mostrem mecanismos concretos para não transferir riscos ao consumidor.