A Comissão de Comércio do Parlamento Europeu aprovou nesta terça-feira a legislação que retira tarifas de importação sobre muitos produtos americanos, na tentativa de dar cumprimento ao acordo firmado com os EUA em Turnberry e evitar uma nova escalada tarifária. A votação terminou em 31 a favor, seis contra e três abstenções, e sinaliza que o texto deve avançar para a sessão plenária em meados de junho.

Pelo acordo, o bloco concordou em eliminar taxas sobre bens industriais dos Estados Unidos e conceder acesso preferencial a produtos agrícolas e frutos do mar, enquanto os EUA mantêm tarifas de 15% sobre a maioria dos produtos europeus. A manutenção da isenção para lagostas americanas, negociada anteriormente, também recebeu apoio explícito da comissão.

A pressa em aprovar a legislação tem razão política: Donald Trump anunciou que imporá tarifas "muito mais altas" caso a UE não cumpra seus compromissos até 4 de julho. Para a União Europeia, a implementação é vista como necessária para preservar a maior relação comercial do mundo, que troca cerca de US$ 2 trilhões em bens e serviços por ano.

Ao mesmo tempo, os parlamentares europeus incluíram emendas que permitem suspender as concessões se os Estados Unidos descumprirem o acordo e preveem o encerramento automático do pacto no final de 2029, salvo renovação legislativa. As alterações expõem um equilíbrio delicado: a UE quer evitar retaliação, mas resguardar instrumentos de resposta a eventuais quebras de compromisso por parte de Washington.

O governo dos EUA informou que avaliará se as emendas estão em conformidade com o acordo. Do ponto de vista econômico e político, a votação reduz o risco imediato de choque comercial, mas deixa claro que a relação transatlântica continua sujeita a volatilidade política — um fator que empresas e governos terão de monitorar sob o risco de novos custos e incertezas ao comércio.