Nos últimos meses a União Europeia intensificou iniciativas diplomáticas e comerciais com o Brasil numa clara estratégia para aumentar sua presença na América do Sul, afirmam fontes que participaram de reuniões com representantes europeus. O movimento, conforme relatos à imprensa, busca conter o avanço político e econômico de China e Rússia na região e reposicionar o bloco como parceiro estratégico além do comércio de commodities.

Em Bruxelas há preocupação explícita com dois vetores. No caso russo, a manutenção da neutralidade brasileira diante da guerra na Ucrânia é tratada como tema sensível, que pode limitar coordenações políticas com o bloco. Em relação à China, o receio não se restringe à dependência comercial: interlocutores europeus temem que um aprofundamento do alinhamento político — inclusive via BRICS — reduza a margem de manobra do Brasil e consolide cadeias produtivas centradas em Pequim.

Para disputar influência, a UE tem oferecido áreas concretas de cooperação: alinhamento regulatório na economia digital, maior participação de empresas europeias no mercado tecnológico brasileiro, parcerias na exploração de minerais críticos e projetos conjuntos ligados à transição energética e à indústria de defesa. A agenda também inclui segurança pública, com foco no combate ao tráfico de drogas cuja rota pelos portos brasileiros preocupa autoridades europeias.

O gesto europeu muda o enquadramento: o Brasil passa a ser visto não apenas como mercado e fornecedor de matérias-primas, mas como ator estratégico em disputa entre potências. A oferta europeia traz vantagens em termos de previsibilidade regulatória e preocupação ambiental, mas também impõe escolhas políticas. Para Brasília, o desafio será conciliar interesses comerciais com a China e responder às expectativas europeias sem comprometer autonomia — um nó com efeitos diretos sobre investimentos, cadeias produtivas e a geopolítica regional.