A Comissão Europeia multou o AliExpress em US$ 629 milhões por não frear a venda de produtos ilegais, inseguros e falsificados em sua plataforma. É a terceira sanção aplicada sob a Lei de Serviços Digitais (DSA), marco regulatório que obriga grandes plataformas a avaliar e mitigar riscos de conteúdo e ofertas prejudiciais. A chefe de tecnologia da UE, Henna Virkkunen, ressaltou o alcance do AliExpress na Europa e a preocupação com a proteção do consumidor.
Segundo o regulador, o marketplace falhou ao avaliar se havia pessoal suficiente para analisar riscos e superestimou a eficácia de seus mecanismos automáticos de remoção. Produtos que vão de falsificações a brinquedos e cosméticos perigosos permaneceram disponíveis por semanas. A Comissão também criticou a política interna de penalidades e o sistema de autorização de marcas, considerado ineficaz e facilmente burlável por vendedores mal-intencionados.
A multa é substancialmente maior que as aplicadas a outras plataformas por violações da DSA, e a Comissão afirmou que a novidade da lei foi um fator atenuante no cálculo do valor. O AliExpress anunciou que recorrerá, classificando a penalidade como desproporcional e defendendo sua estrutura de gestão de riscos e melhorias implementadas. Em dezembro, a empresa pode enfrentar novas sanções caso não atenda integralmente às exigências da UE.
Além do impacto financeiro imediato, a decisão sinaliza endurecimento regulatório que tende a elevar custos de conformidade para marketplaces globais e a alterar práticas comerciais — com vetos mais rigorosos a vendedores, ampliação de equipes de revisão e maior dificuldade de operação para comerciantes de margem reduzida. Para consumidores e empresas que já cumprem regras, a multa reforça a pressão por maior transparência e responsabilidade nas plataformas digitais.