A Comissão Europeia anunciou medidas provisórias exigindo que a Meta volte a permitir o funcionamento de assistentes de inteligência artificial concorrentes no WhatsApp nas mesmas condições anteriores a 15 de outubro de 2025. O braço executivo da UE entendeu que a política revisada da empresa — que passou a cobrar uma taxa para integrar chatbots de terceiros — pode ter o efeito de excluí-los e, à primeira vista, violar regras de concorrência.
As medidas visam evitar prejuízos que a autoridade considera potencialmente graves e irreparáveis ao mercado enquanto a investigação completa segue em curso. A Meta já havia comunicado que liberaria a integração por um ano mediante cobrança, justificando que imporia custos a quem usa a plataforma. Em sua defesa, a empresa alertou que a decisão regulatória poderia transferir o custo de grandes provedores de IA para pequenas empresas que pagam pelo serviço do WhatsApp Business.
O episódio expõe uma disputa mais ampla sobre como custear a incorporação de IA em serviços de comunicação e qual é o papel do regulador para preservar acesso e competição. Para o mercado europeu, a intervenção da UE sinaliza disposição em frear práticas que favoreçam fornecedores integrados de tecnologia e em proteger provedores menores e concorrentes de desvantagens artificiais.
No plano prático, as medidas provisórias mantêm a situação anterior até o desfecho da investigação, mas já produzem efeito político e comercial: pressionam a Meta a rever seu modelo de monetização e reforçam a agenda regulatória europeia contra o poder de plataforma. A investigação poderá definir parâmetros sobre interoperabilidade, tarifas de acesso e quem deve suportar o custo da infraestrutura de IA nas plataformas.