A Comissão Europeia informou ter entregue à Alphabet orientações sobre como abrir dados do Google Search — incluindo rankings, consultas, cliques e visualizações — a mecanismos de busca de terceiros em termos justos, razoáveis e não discriminatórios, para adequação à DMA (Lei dos Mercados Digitais). O órgão antitruste abriu um processo contra o mecanismo de busca em janeiro com o objetivo de permitir que concorrentes otimizem serviços e contestem a posição dominante do Google. O objetivo declarado é permitir que 'beneficiários de dados' melhorem algoritmos e ofereçam alternativas ao Search.
O Google respondeu que a proposta o obrigaria a transferir dados de buscas sensíveis a terceiros e que as diretrizes excedem o mandato da DMA, colocando em risco privacidade e segurança. A empresa anunciou que vai se defender vigorosamente e a nota citou Clare Kelly, conselheira sênior de concorrência, como porta-voz da posição da companhia. A reação antecipa uma disputa técnica e jurídica com Bruxelas sobre escopo e limites do compartilhamento.
Do ponto de vista econômico, a orientação da Comissão acende alerta para o setor de tecnologia: se implementada, pode reduzir barreiras para rivais, alterar o fluxo de dados que sustenta o modelo de publicidade do Google e aumentar custos de conformidade para grandes plataformas. Mais transparência nos dados de busca tende a favorecer concorrência e inovação, mas também amplia o debate sobre privacidade, propriedade das métricas de pesquisa e possível fragmentação de padrões entre jurisdições.
Institucionalmente, o caso mostra a disposição da UE de usar a DMA de forma proativa para testar limites do poder das plataformas. A negociação entre Comissão e Alphabet pode estabelecer precedentes regulatórios globais e provocar litígios longos, com impacto direto em anunciantes, provedores de busca alternativos e usuários. Para reguladores em outras regiões, o desfecho será termômetro sobre a capacidade de exigir alterações operacionais às gigantes de tecnologia.