A 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, da Anbima, revela que 31% da população não possui reserva financeira. Do grupo que tem algum colchão, 10% conseguem pagar despesas por menos de uma semana, outros 10% por até um mês, 12% por um a dois meses e apenas 3% declararam ter recursos para cinco anos ou mais. O levantamento expõe uma base frágil diante de choques e imprevistos.

A distribuição social do problema é desigual: quase metade dos que não têm reserva está nas classes D e E, enquanto apenas 13% da elite (A e B) se encontra sem proteção. No recorte por geração, a geração X registra 37% sem reserva, seguida pelos Millennials com 28%. Esses perfis ajudam a explicar por que o crescimento do endividamento pressiona principalmente famílias de menor renda.

O diagnóstico ganha gravidade ao ser combinado com dados do Banco Central: mais de 80% das famílias estão endividadas e o comprometimento da renda para pagar débitos atingiu patamar recorde desde 2005. Sem colchão, famílias tornam-se mais vulneráveis a inadimplência, corte de consumo e à dependência de crédito emergencial, com efeitos diretos sobre a recuperação econômica e a estabilidade do mercado de crédito.

O relatório também mostra mudança de comportamento na hora de investir: 63% utilizam plataformas on-line, enquanto 32% ainda preferem atendimento presencial. Para além da tecnologia, o quadro exige respostas concretas — políticas públicas e iniciativas privadas de educação financeira, maior acesso a produtos de baixo custo e medidas que reduzam o custo do crédito — sob pena de ampliar fragilidades já visíveis na economia.