O Tesouro Nacional informou que a União desembolsou R$ 377,05 milhões em abril para honrar dívidas garantidas de entes subnacionais. No acumulado de 2026, os pagamentos somam R$ 1,37 bilhão. Do total de abril, R$ 297,64 milhões referem-se ao Estado do Rio de Janeiro; R$ 75,56 milhões, ao Rio Grande do Sul; R$ 3,66 milhões, ao Rio Grande do Norte; R$ 109,07 mil ao Município de Paranã (TO) e R$ 70,15 mil ao Município de Santanópolis (BA).
A concentração dos socorros fica explícita quando se olha o acumulado do ano: o Rio de Janeiro lidera com R$ 790,49 milhões (57,66% do total), seguido pelo Rio Grande do Sul com R$ 465,30 milhões (33,94%) e o Rio Grande do Norte com R$ 90,54 milhões (6,60%). Esses números sinalizam dependência significativa desses Estados do suporte federal para honrar operações de crédito garantidas.
Desde 2016 a União já desembolsou R$ 87,89 bilhões para honrar garantias contraídas por Estados e municípios, mas recuperou apenas R$ 6,04 bilhões desse montante — sendo R$ 8,96 milhões recuperados em abril. O principal motivo apontado pelo Tesouro é que grande parte (aproximadamente R$ 78,23 bilhões) corresponde a Estados que integram regimes como o RRF, que garantem suspensão temporária da execução da contragarantia.
O quadro traz implicações fiscais e políticas claras: a concentração dos pagamentos em poucos Estados aumenta o risco de contingências para o Tesouro e reduz a efetividade de recuperação dos créditos. Para o governo federal, os dados acendem alerta sobre custos ocultos da gestão subnacional e complicam a narrativa de responsabilidade fiscal. A situação reforça a necessidade de medidas estruturais que limitem a exposição do orçamento federal e exijam maior disciplina financeira de Estados e municípios.