A United Airlines afirmou que é improvável buscar uma grande fusão depois que a proposta à American Airlines foi rejeitada, mas mantém abertura para compras de ativos, como slots e portões, caso o choque do combustível pressione concorrentes mais fracos. O posicionamento foi explicado pelo CEO Scott Kirby em entrevista durante a reunião anual da IATA no Rio de Janeiro, retomando a abordagem pública sobre a tentativa de união com a American, que teve resistência da diretoria rival.

Kirby voltou a dizer que a transação teria benefícios para consumidores, mas reconheceu que uma operação tão grande exigiria um parceiro disposto e apoio da gestão da outra companhia — elemento que faltou após a negativa pública da American. Ele também negou negociações para conceder ao governo uma 'golden share' como parte de qualquer proposta, minimizando um eventual risco político ao negócio.

Acho que a consolidação é improvável para a United

No cerne da discussão está o impacto dos preços do combustível: o aumento dos custos está testando margens e separando empresas mais sólidas das que dependem basicamente da disputa por preço. A United aposta que tarifas mais altas ajudarão a recompor o efeito do combustível ainda este ano, sustentada por uma combinação de demanda resiliente e capacidade de investir em produto e tecnologia — argumento usado para rebater críticas de que grandes players estariam comprimindo a concorrência.

A conclusão prática é dupla. Por um lado, a recusa da American reduz a probabilidade de uma megafusão, diminuindo um choque político e regulatório imediato. Por outro, a perspectiva de aquisições pontuais e a pressão contínua dos combustíveis acendem um alerta sobre concentração por meio de trocas de ativos ou aquisições menores, cenário que pode afetar competição, tarifas e a saúde financeira de empresas de menor porte.