O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, disse à mídia americana que espera ver um acordo entre Irã e Omã capaz de restabelecer o volume de petróleo saindo do Estreito de Ormuz ao patamar anterior ao agravamento das hostilidades. Segundo Vance, o estreito é “o ponto em que o governo está mais focado no momento”, e a negociação envolveria um esquema de tráfego para permitir a passagem segura de navios mercantes.

A tomada de posição dos EUA ocorre num cenário ainda marcado por incidentes: um navio-tanque foi atacado no sábado e os Emirados Árabes Unidos atribuíram a ação ao Irã. Washington diz empregar uma gama de ferramentas — diplomáticas, econômicas e militares — para pressionar Teerã, enquanto o Irã condiciona parte do avanço a contrapartidas, incluindo pedidos de compensação por ações passadas.

Do ponto de vista econômico, um acordo que restabeleça sem restrições o trânsito no Estreito tende a aliviar um dos vetores de risco para oferta global de petróleo. Mas o processo também expõe fragilidades: a persistência de ataques, a exigência iraniana por compensações e a necessidade de garantias verificáveis sobre a segurança das embarcações mantêm pressão sobre prêmios de risco, seguros de transporte e volatilidade dos preços.

Para governos e mercados, a negociação acende um alerta sobre a fragilidade de corredores estratégicos de comércio de energia. Mesmo com a expectativa de normalização, o desenlace pode impor custos políticos e econômicos adicionais — da necessidade de maior presença naval até impactos nos contratos e no custo final da energia — se os atores não assumirem compromissos claros e verificáveis.