Levantamento da Getnet, obtido com exclusividade pelo mercado, indica que as vendas no varejo devem subir entre 8% e 10% na semana que antecede o Dia das Mães. A fintech também projeta um aumento expressivo de 41% nas transações via Pix, incluindo vendas físicas e on-line, reflexo da familiaridade maior do consumidor com pagamentos instantâneos e dos incentivos comerciais que reduzem o custo na hora de pagar.
As projeções, no entanto, não são unânimes. A Abiacom estima que o e‑commerce deve movimentar R$ 11,06 bilhões no período, alta de 10,8% sobre 2025, enquanto a CNC oferece leitura mais cautelosa, apontando crescimento modesto de 1,5% e alertando para efeitos adversos do endividamento das famílias, dos juros elevados e do impacto das tensões geopolíticas entre Estados Unidos, Israel e Irã na confiança e nos custos.
O contraste entre expectativas otimistas e sinais de contenção revela um cenário frágil: descontos e facilidades de pagamento via Pix podem acelerar vendas, mas também comprimem margens e dependem de um consumidor que, em parte, chega mais endividado. Para o varejo, isso impõe desafios de gestão de estoque, política de preços e contratação temporária — a CNC estima mais de 25 mil postos sazonais — num ambiente de menor previsibilidade dos custos financeiros.
No fim, os números funcionam como retrato do momento, não como garantia de continuidade. A tecnologia e a digitalização dos pagamentos ajudam a movimentar o comércio, porém juros persistentes e restrições do crédito limitam a sustentabilidade do impulso. Para empresas e formuladores de política, a lição é simples: ganhos pontuais dependem de condições macroeconômicas mais favoráveis ou de ajustes que preservem margem e poder de compra.