O varejo brasileiro cresceu 0,6% em março na comparação com o mesmo mês de 2025, já descontada a inflação, segundo o Índice Cielo de Varejo Ampliado (ICVA). Na métrica nominal, as vendas subiram 3,7%, sustentadas por um avanço de 10,5% no comércio eletrônico, enquanto o comércio físico registrou ganho mais tímido, de 1,5%. A Cielo aponta que o Carnaval, ocorrido em fevereiro, e a Páscoa, que caiu na primeira semana de abril, alteraram o ritmo das vendas em março.

No recorte por macrossetores, bens não duráveis lideraram com alta real de 3,2%, impulsionados pela Páscoa; já serviços e bens duráveis recuaram 3,7% e 1,8%, respectivamente. Regionalmente, o Nordeste teve o melhor desempenho, com alta real de 1,9%, seguido pelo Sul, com 1,4%; as demais regiões registraram queda, mostrando padrão assimétrico de recuperação pelo país.

A leitura da Cielo descreve um consumidor mais seletivo: mesmo com inflação pressionando o poder de compra, estímulos promocionais e a expansão do digital sustentaram o crescimento nominal. Esse diagnóstico revela, porém, uma economia do consumo frágil — dependente de promoções e do canal online — e sujeito a oscilações de calendário, o que limita a previsibilidade de uma retomada mais robusta.

Para varejistas, o cenário exige manutenção de estratégias promocionais, investimentos em plataforma digital e gestão de margens diante de custos pressionados. Para a economia como um todo, um consumo que avança de forma modesta e concentrada dificulta uma recuperação ampla do mercado de trabalho e reduz a visibilidade sobre o ritmo de arrecadação derivada do setor — fatores que pesam nas projeções de curto prazo.