O varejo brasileiro registrou alta de 4,7% em julho na comparação com o mesmo mês de 2025 e avançou 0,9% ante junho, segundo dados divulgados pela StoneCo. Sete dos oito segmentos cresceram na base anual, com Combustíveis e Lubrificantes liderando a expansão (9,1%). Na comparação mensal, cinco dos oito segmentos avançaram, entre eles Artigos Farmacêuticos, que registrou a maior alta do mês (2,5%).
O único recuo ficou com Tecidos, Vestuário e Calçados (-5,6%), sinalizando que parte do consumo mais discretionary ainda não recuperou fôlego. Regionalmente, 24 unidades federativas apresentaram crescimento anual, com Roraima em destaque (18,2%); por regiões, o Norte foi a mais forte, com alta de 6,6%. Os números mostram uma recuperação disseminada, mas desigual entre categorias e áreas do país.
Para o economista da Stone, Guilherme Freitas, os dados consolidam a retomada iniciada no mês anterior, embora em um contexto de condições financeiras apertadas. O mercado de trabalho e o aumento do rendimento real seguem sustentando o consumo, mas o elevado comprometimento da renda e o alto custo do crédito limitam a recuperação especialmente nos segmentos dependentes de financiamento.
O resultado alimenta debate técnico sobre a velocidade e o impacto de uma possível redução de juros: embora o ciclo de queda dos juros deva melhorar as condições financeiras, a Stone destaca que seus efeitos levarão tempo para se traduzir em maior dinamismo do varejo. Para o governo e para o setor privado, o desafio é transformar sinais positivos em crescimento mais amplo sem abrir espaço para desequilíbrios fiscais ou pressões inflacionárias.