O volume de vendas do comércio varejista subiu 0,5% em março ante fevereiro, na série com ajuste sazonal, informou o IBGE. O resultado superou a mediana das estimativas do mercado (0,1%), cujo intervalo ia de queda de 0,3% a alta de 0,8%, e sugere um desempenho do consumo ligeiramente acima do que analistas vinham projetando.

Na comparação interanual, as vendas do varejo tiveram alta de 4% em março em relação a março de 2025, também acima da mediana das projeções (2,8%). No varejo ampliado — que incorpora material de construção, veículos e atacado alimentício — a alta foi de 0,3% na margem e de 6,5% em 12 meses, números que igualmente superaram as expectativas do mercado.

O balanço mostra fôlego no consumo por ora, mas trata-se de um resultado pontual. O avanço mensal é moderado e pode refletir efeitos conjunturais, como promoção e sazonalidade, além de ruído estatístico. Para caracterizar uma retomada consistente seriam necessários registros contínuos de ganho de atividade e sinais nos mercados de trabalho e renda das famílias, que não constam neste boletim do IBGE.

Politicamente, dados melhores que a mediana aliviam narrativas de desaquecimento e abrem espaço para uma leitura menos pessimista sobre a atividade econômica. Economicamente, o movimento pode reduzir um pouco a pressão sobre previsões de curto prazo, mas não elimina riscos: é preciso acompanhar a sustentabilidade do consumo, a inflação e o comportamento do crédito para avaliar impactos reais sobre crescimento e políticas públicas.