O varejo brasileiro registrou alta de 7% em agosto na comparação anual e cresceu 0,5% sobre julho, segundo levantamento da empresa de meios de pagamento Stone divulgado nesta terça (22). O resultado consolida três meses consecutivos de alta e indica que o consumo segue acima do nível do ano passado, mas o avanço mensal fraco revela perda de ritmo na retomada.

Dos oito segmentos acompanhados pela Stone, cinco subiram no mês; no comparativo anual, sete apresentaram alta. As maiores contribuições vieram de Combustíveis e Lubrificantes (2,7% no mês; 15,2% no ano) e de Hipermercados e Supermercados (1,6% mensal; 8,5% anual). Regionalmente, 25 unidades federativas tiveram vendas maiores ante 2022 — destaque para o Amazonas, com salto de 21,8% — enquanto Espírito Santo (-0,4%) e Rio Grande do Sul (-1,6%) registraram queda.

A análise técnica da Stone aponta para um cenário dúbio: a recuperação está em curso, mas foi esvaziada pelo menor impulso recente do mercado de trabalho e, sobretudo, pelo custo elevado do crédito e pelo peso do endividamento das famílias. Esse mix limita a demanda, sobretudo em segmentos que dependem de financiamento, e tende a moderar o ritmo de expansão se não houver melhora simultânea na renda real e na oferta de crédito com custo mais baixo.

Para formuladores e varejistas, o número transmite sinais mistos. Por um lado, a sequência de altas sustenta receitas e gera espaço político para estratégias pró-mercado; por outro, a desaceleração mensal reduz a margem para cortes de juros no curto prazo e impõe cautela às cadeias que apostaram em expansão rápida por meio de crédito. O quadro exige atenção: a retomada existe, mas ainda é frágil e desigual.