O varejo brasileiro começou 2026 em terreno positivo: segundo o relatório Mastercard SpendingPulse, as vendas totalizaram alta de 1,2% no primeiro trimestre em relação a igual período de 2025. A pesquisa, que agrega transações em lojas físicas e no comércio eletrônico, mostra desempenho heterogêneo entre setores. Restaurantes registraram a maior expansão, com alta de 10,1%, seguidos por farmácias (9,6%) e hospedagem (6,5%).
O crescimento, no entanto, concentra-se em serviços e consumo de menor intensidade de duráveis. Setores tradicionais enfrentaram perda de ritmo: supermercados recuaram 1,5% e móveis e decoração caíram 4,4%. Essa combinação indica que as famílias priorizaram gastos com alimentação fora de casa, saúde e viagens, enquanto adiaram despesas de maior valor ou frequência mais baixa — um sinal de fragilidade se a meta for uma recuperação ampla e sustentada do consumo.
A expansão foi disseminada por todas as regiões, mas com ritmos distintos. O Centro‑Oeste liderou com alta de 2,5%, enquanto o Sudeste ficou estagnado, com apenas 0,1%. Entre os estados, Pernambuco (5,4%), Paraná (4,1%) e Distrito Federal (4%) mostraram desempenho superior à média. Para Gustavo Arruda, economista‑chefe do Mastercard Economics Institute na América Latina, o resultado reforça a capacidade de consumo das famílias apesar de um ambiente econômico desafiador, e aponta oportunidades reprimidas em segmentos como móveis e decoração.
Do ponto de vista econômico e setorial, o quadro impõe desafios: o avanço restrito a alguns nichos beneficia receitas e emprego nos serviços, mas não garante recuperação homogênea da indústria ou do comércio de bens duráveis. Para varejistas e formuladores de política, o diagnóstico é claro: a leitura dos números exige estratégias regionais e por segmento, e o acompanhamento das próximas pesquisas será determinante para entender se o crescimento se amplia ou se mantém pontual.