O Census Bureau informou nesta quinta (16) que as vendas no varejo dos Estados Unidos subiram 0,2% em junho, após avanço revisado para cima de 1,0% em maio. Economistas consultados esperavam, em média, alta de 0,2%, com previsões variando entre queda de 0,4% e alta de 1,0%.
Parte do movimento foi explicado pela queda nos preços médios da gasolina, que recuaram para US$ 4,18 o galão em junho, ante US$ 4,61 em maio, segundo a Administração de Informações sobre Energia (EIA). Esse alívio temporário nas bombas liberou recursos das famílias para outras compras.
No entanto, a trégua diplomática que pressionou os preços do petróleo ruiu na semana seguinte, e a retomada das hostilidades no Oriente Médio empurrou novamente os custos de combustível para cima, evidenciando a volatilidade que pode inverter rapidamente esse ganho de renda disponível.
O indicador de vendas no varejo excluindo automóveis, combustíveis, materiais de construção e serviços de alimentação — mais próximo do componente de consumo do PIB — subiu 0,5% em junho, após revisão para 0,8% em maio. O movimento foi potencialmente impulsionado por promoções sazonais, como o Prime Day da Amazon, e pela receita extra ligada à Copa do Mundo.
O quadro que emerge é de uma recuperação modesta e concentrada: gastos continuam sendo puxados por famílias de renda mais alta, cuja riqueza foi beneficiada pela alta das ações. Para formuladores de política econômica, isso complica a leitura sobre inflação e demanda: há resiliência, mas também fragilidade e desigualdade que tornam o cenário sensível a choques externos e a oscilações nos preços do petróleo.