O varejo de moda deve registrar R$ 63,34 bilhões em vendas na temporada outono-inverno de 2026 (maio a agosto), segundo estimativa do IEMI, avanço de 4,2% ante os R$ 60,79 bilhões de 2025. O volume projetado é de 1,85 bilhão de peças, alta de apenas 0,65% sobre o ano anterior, o que aponta para um movimento de recomposição de faturamento sem rápida ampliação nas quantidades vendidas.

A diferença entre crescimento em valor e modesto incremento em volume indica duas forças: recuperação do ticket médio — por conta de categorias mais caras, como malharia e casacos — e cautela na formação de estoques. Para o IEMI, isso traduz um mercado em recuperação gradual, marcado por forte competição entre varejistas e plataformas internacionais que comprimem preços e margens.

Do lado empresarial, a resposta tem sido estratégica: priorizar coleções de meia estação e itens com maior flexibilidade comercial para reduzir risco diante da variabilidade climática. Executivos do setor apontam que a combinação de custos elevados na cadeia e incerteza sobre o ritmo do consumo força decisões conservadoras sobre compras e variedade de estoques.

O quadro, embora positivo em termos de receita, carrega um recado político-econômico e comercial: margens pressionadas limitam espaço para investimentos e expansão rápida de lojas, e a sensibilidade ao clima e ao comportamento do consumidor nos primeiros meses da estação será determinante para confirmar as projeções. Em suma, trata-se de uma recuperação real, porém frágil e dependente de fatores externos ao varejo.