As ações de varejistas de moda recuaram na manhã desta quarta-feira, depois que o governo publicou em edição extra do DOU a medida provisória que zera a cobrança do imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50. Por volta das 11h45, papéis do setor estavam entre as maiores quedas do Ibovespa: C&A Modas (-1,37%), Lojas Renner (-0,51%) e Riachuelo (-0,91%).

A decisão, anunciada no Palácio do Planalto com a presença do presidente e de ministros, atende a uma pressão política interna: a ala governista vinha defendendo a revogação diante do caráter impopular da chamada 'taxa das blusinhas'. O governo aposta que a medida rende apelo junto ao eleitorado, mas a iniciativa revive um trade-off claro entre ganhos políticos imediatos e custo fiscal.

Economia e indústria vinham resistindo à isenção. O imposto foi implementado no âmbito do programa Remessa Conforme, criado para regularizar e tributar parte do comércio eletrônico internacional, e sua perda representa queda de arrecadação e potencial pressão adicional sobre a indústria nacional, que já argumentava sobre concorrência desleal.

No curto prazo, a queda das ações sugere que o mercado reavaliou margens e riscos de concorrência externa para o varejo de moda. No plano político, a medida corrige uma reclamação popular, mas entrega ao Executivo a conta fiscal e a tarefa de justificar o impacto sobre a indústria e as finanças públicas.