O comércio varejista brasileiro registrou recuo de 1,5% em abril ante março, informou a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE. Trata‑se do pior resultado para o mês desde abril de 2020, quando as vendas despencaram 16,0% no choque inicial da pandemia. O indicador interrompe sequência de três meses de alta e corta o fôlego de um patamar que havia alcançado recorde em março.
Seis das oito atividades pesquisadas tiveram queda na passagem mensal. Entre as exceções, hipermercados e supermercados avançaram 1,3% e livrarias e papelarias cresceram 1,1%. No varejo ampliado — que inclui veículos, material de construção e atacado alimentício — as vendas caíram 0,7%. Material de construção teve queda de 3,6% e veículos, motos e peças recuaram 0,7%.
Segundo o gerente da pesquisa no IBGE, além do efeito de base — crescer é mais difícil quando a série está no topo — há sinais de redução de impulso por crédito e renda: não houve crescimento do crédito à pessoa física, nem do rendimento nem do número de ocupados. A combinação de renda estagnada, inflação e encarecimento de combustíveis, influenciado por eventos geopolíticos, aparece como freio direto ao consumo.
Apesar do recuo, o varejo ainda opera acima do nível pré‑pandemia: o volume de vendas está 10,9% acima de fevereiro de 2020; no varejo ampliado a alta é de 7,1%. Mas a leitura do IBGE aponta mudança estrutural no padrão de consumo: segmentos como vestuário, calçados, móveis e eletrodomésticos seguem aquém do pré‑covid, enquanto supermercados e medicamentos ganharam espaço, sinalizando polarização por renda e preferência por bens essenciais.