O varejo brasileiro aprofundou a retração em setembro: o ICVA (Índice Cielo do Varejo Ampliado) apontou queda real de 3,9% na comparação com igual mês do ano anterior, marcando o 16º mês consecutivo de recuo descontada a inflação. É o pior resultado para um setembro desde 2020, quando o indicador caiu 7,9%, e também representa piora frente ao recuo de 2,2% registrado em agosto.

A retração foi ampla entre os macrossetores. Serviços registraram perda real de 9,0%, com turismo e transporte sofrendo queda de 13,0% e bares e restaurantes em desempenho desfavorável. Bens duráveis e semiduráveis recuaram 7,3%, afetados por móveis, eletrodomésticos, lojas de departamentos e vestuário. Bens não duráveis foram mais resistentes, com queda de 0,7%. No canal, o comércio eletrônico cresceu 5,1% em termos nominais, enquanto o varejo físico teve recuo nominal de 0,1%.

A deterioração foi registrada em todas as cinco regiões, com o Sudeste sofrendo mais (−5,6%). Entre Estados, São Paulo apresentou queda de 7,1%, ao passo que alguns polos menores mostraram variação positiva, como Amapá (4,0%) e Santa Catarina (0,7%). A amostra do ICVA cobre 18 setores e inclui vendas de pequenos lojistas a grandes redes, oferecendo um retrato amplo da atividade comercial.

Para a Cielo, o comportamento de setembro indica que o consumo continua pressionado e ampliou a intensidade da retração. Do ponto de vista econômico, 16 meses seguidos de queda real compõem um sinal consistente de fraqueza da demanda que tende a penalizar faturamento do comércio, gerar tensão sobre margens e complicar a recuperação da atividade. A relativa resiliência do e‑commerce aparece como ponto de apoio, mas não foi suficiente para compensar a perda generalizada vista nos serviços e nos bens duráveis.