A intenção anunciada pela Ucrânia de comprar até 20 caças Gripen da Saab pode abrir espaço para que parte da produção seja feita no Brasil, segundo executivos suecos. A Saab diz estar investindo para ampliar a capacidade local — um movimento que, se concretizado, reforçaria a cadeia de fornecedores nacionais e a planta de Gavião Peixoto.
O acordo bilateral entre Saab e Embraer prevê compartilhamento de tecnologia e treinamento extensivo, que já resultou no primeiro Gripen E integralmente produzido no Brasil em março. Hoje, 15 das 36 aeronaves encomendadas pela FAB terão montagem final no país; o programa brasileiro também envolve empresas como AEL Sistemas e Atech na produção de aviônicos e componentes.
O potencial econômico é claro: aumento de produção pode gerar receitas de exportação, empregos qualificados e ganhos de escala para fornecedores. Há, porém, várias ressalvas — o termo de intenções com a Ucrânia ainda não virou contrato, as entregas modernas estão previstas apenas a partir de 2030 e a operação depende de aprovações políticas e financeiras, como o pacote de ajuda da União Europeia que viabilizou a compra.
Do ponto de vista institucional, a possibilidade fortalece a narrativa de autonomia industrial de defesa, mas expõe o país a riscos e escolhas: Brasília precisará acompanhar garantias contratuais, prazos e exigências de offset; além disso, o efeito econômico real só se confirmará se o projeto sair do papel e for executado com previsibilidade, evitando promessas que fiquem apenas no discurso.