O mercado automotivo chinês voltou a demonstrar fragilidade em maio, segundo dados da CPCA: as vendas no varejo de automóveis de passeio caíram 22,1% na comparação anual, para 1,51 milhão de unidades. Na comparação mensal houve melhora — alta de 9,2% sobre abril — mas o resultado anual evidencia perda de impulso num mercado que foi por anos o motor do setor global.

A mudança no comportamento do consumidor tem ligação direta com o avanço dos preços do petróleo. O salto nas cotações reduziu o apetite por veículos a combustão e acelerou a migração para modelos elétricos e híbridos plug-in, que agora representam 62,9% das vendas de veículos novos. Mesmo assim, as vendas no varejo de veículos de nova energia recuaram 7,5%, para 950 mil unidades, indicando que a transição não elimina o esfriamento geral do consumo.

A resposta das montadoras foi dupla: contenção de promoções após a campanha do governo contra competição excessiva por preço e maior foco em mercados externos. A China exportou 784 mil veículos em maio, com 54% desse total formado por veículos de nova energia. A Tesla, por sua vez, exportou 38.701 carros de Xangai e vendeu 85.982 unidades no mercado doméstico no mesmo mês — números que ilustram a tensão entre vendas internas e expansão externa.

A CPCA projeta uma recuperação moderada em junho, apoiada por ações das empresas para impulsionar vendas antes do fim do semestre e por um dia útil a mais na comparação anual. Ainda assim, riscos permanecem: consumo cauteloso, condições de financiamento mais rígidas e preços de combustíveis elevados devem manter o crescimento contido, o que pressiona margens, obriga ajuste de estratégias e acelera a corrida das montadoras chinesas por faturamento no exterior.