As vendas de moradias usadas nos Estados Unidos recuaram 3,6% em março, para uma taxa anual ajustada de 3,98 milhões de unidades — o menor nível desde junho de 2025, segundo a Associação Nacional de Corretores. O resultado ficou abaixo da projeção média de economistas, que apontavam 4,06 milhões, e mostra um mercado menos dinâmico apesar da demanda subjacente.

A principal restrição continua sendo o estoque escasso de residências prontas para venda. O economista-chefe da associação informou que uma oferta adicional de 300 mil a 500 mil casas ajudaria a aproximar o mercado de condições mais normais, permitindo decisões de compra menos apressadas. Ao mesmo tempo, as taxas hipotecárias se mantêm elevadas: a taxa fixa de 30 anos ficou em média em 6,37% na semana passada, ante 5,98% antes do choque geopolítico recente.

Os rendimentos dos Treasuries subiram após a escalada de tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, pressionando os custos de financiamento e colaborando para a alta recente dos preços ao consumidor — que teve em março o maior avanço mensal em quase quatro anos. No front laboral, a criação de vagas fora do setor agrícola caiu em seis dos últimos 15 meses, um sinal de enfraquecimento que tende a reduzir a capacidade de muitos compradores entrarem no mercado.

O quadro combina risco para a acessibilidade e para o crescimento: estoques reduzidos sustentam preços, enquanto juros mais altos encarecem parcelas e retraem demanda. Para a política econômica, a leitura é dupla — controlar a inflação segue prioridade, mas falta oferta habitacional agrava a perda de bem-estar e pode limitar a resposta do setor privado. Sem aumento efetivo na oferta e alguma normalização das taxas, o mercado de moradias pode permanecer engessado com impacto real sobre consumo e investimento.