O volume de vendas no varejo brasileiro subiu 0,6% em fevereiro na comparação com janeiro e registrou aumento de apenas 0,2% no trimestre móvel em relação ao mesmo período de 12 meses, informou o IBGE. O desempenho ficou abaixo da expectativa de mercado, que apontava por uma alta de cerca de 1,0% na leitura mensal e de 1,2% na base anual, segundo levantamento da Reuters.

O resultado reflete um quadro de consumo mais contido do que estimado pelos analistas. Uma alta mensal modesta e a quase estagnação anual indicam que a demanda das famílias ainda não ganhou tração consistente, mesmo diante de sinais pontuais de recuperação em outros segmentos da economia.

Do ponto de vista político e econômico, os números complicam a narrativa de retomada robusta e abrem espaço para cobrança sobre medidas capazes de estimular consumo e dinâmica do emprego. Para o governo, a sequência de leituras discretas no varejo tende a ampliar a pressão por resultados concretos que impactem o bolso do eleitor.

Para mercados e agentes, o dado aumenta a necessidade de acompanhar indicadores complementares nas próximas semanas — serviços, emprego e dados de consumo por renda — para avaliar se a leitura de fevereiro é ruído sazonal ou sinal de enfraquecimento sustentável. Até lá, a economia segue em ritmo mais vulnerável do que a expectativa que vinha sendo precificada.