As vendas do varejo brasileiro registraram alta de 5,4% em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado, informou a Stone nesta segunda-feira (11). Na comparação com março houve uma leve retração de 0,2%, sinal de acomodação após a recuperação observada no mês anterior e de um padrão de crescimento ainda sujeito a oscilações.
Seis dos oito segmentos pesquisados avançaram na base anual. Combustíveis e lubrificantes lideraram o movimento, com alta de 14,4% pelo segundo mês seguido, seguidos por material de construção (7,4%) e artigos farmacêuticos (6,4%). Hipermercados, supermercados e alimentos subiram 6,1%; outros artigos de uso pessoal e doméstico, 4,3%; e tecidos, vestuário e calçados, 1,3%. As únicas quedas foram em livros, jornais, revistas e papelaria (-5,4%) e em móveis e eletrodomésticos (-0,1%).
Para a Stone, o consumo segue sustentado, mas limitado: renda mantém o patamar de gasto, mas o alto nível de endividamento das famílias e o custo do crédito impedem uma recuperação mais consistente. Em outras palavras, o crescimento do varejo não vem acompanhado de uma melhora estrutural que garanta sustentação sem depender de condições financeiras favoráveis.
O quadro aponta duas mensagens para formuladores de política e agentes do mercado: o avanço é real, porém concentrado e vulnerável a um aperto de crédito ou a choques na renda. Isso reduz o espaço para confiar em um crescimento robusto do consumo como motor automático da economia e exige atenção sobre taxas de juros, acesso ao crédito e saúde financeira das famílias.