As vendas no varejo dos Estados Unidos avançaram 0,5% em abril, segundo dados do Census Bureau do Departamento de Comércio. O número sucede uma revisão para baixo do crescimento de março, agora apontado em 1,6%, e veio em linha com a expectativa média dos economistas consultados pela imprensa internacional.

Apesar do resultado positivo em termos nominais, boa parte do impulso nas receitas foi influenciada pela inflação. O conflito envolvendo EUA, Israel e Irã pressionou os preços de energia e commodities, e a Energy Information Administration (EIA) registrou salto de 12,3% nos preços da gasolina em abril — item que pesa mais no orçamento das famílias de baixa renda.

Outros fatores ajudam a explicar a resiliência dos gastos: o governo federal liberou restituições de imposto mais altas neste ano. Dados do Internal Revenue Service (IRS) apontam que a restituição média cresceu US$ 323 até 25 de abril, na comparação com o mesmo período de 2025. Economistas da PNC Financial observam que essas devoluções têm sido sacadas mais rapidamente por famílias de menor renda e estão sendo menos direcionadas ao pagamento de dívidas.

O quadro traz um sinal de alerta político e econômico. Com a inflação corroendo ganhos salariais — situação inédita nos últimos três anos — e a confiança do consumidor em níveis recordes de baixa no início de maio, a sustentabilidade do consumo como motor do crescimento fica em xeque. Para governantes e formuladores de política econômica, o desafio é distinguir quanto do aumento nas vendas é real e quanto decorre de choques de preços e estímulos temporários.