As vendas no varejo dos Estados Unidos subiram 0,9% em maio, bem acima da expectativa média de 0,5% coletada por economistas. O dado, divulgado pelo Census Bureau, surpreende por superar a leitura revisada de abril, quando a alta foi ajustada para 0,4%. No entanto, o movimento precisa ser lido com cautela: parte relevante do ganho veio de fatores pontuais, não de expansão robusta e disseminada do consumo.
O aumento dos preços da gasolina foi um dos motores imediatos do avanço, elevando a receita dos postos de combustíveis. Em paralelo, restituições de imposto e a alta do mercado acionário estimularam gastos das famílias — ao custo de uma queda na taxa de poupança, que atingiu o menor nível em quatro anos em abril. Relatórios de bancos como o PNC mostram que restituições foram gastos mais rapidamente do que em anos anteriores, reduzindo o efeito de sustentação ao longo dos meses.
Uma medida mais estreita do varejo — excluindo automóveis, gasolina, materiais de construção e alimentação fora do lar — avançou 0,7% em maio e é a que mais se aproxima do componente de consumo do PIB. Mesmo assim, economistas alertam que a combinação de menor poupança e ganhos pontuais de receita pode traduzir-se em desaceleração quando esses suportes desaparecerem.
Para o Federal Reserve, os números reforçam a ideia de que a política monetária não precisa ser apertada de imediato: o texto oficial do mercado indica que a manutenção da taxa básica na faixa atual permanece o cenário mais provável. Em resumo, o resultado positivo de maio alivia sinais de desaquecimento momentâneo, mas não elimina riscos para a sustentabilidade do consumo se as famílias continuarem a recorrer a poupança e fatores temporários.