As vendas do varejo no Brasil avançaram 0,1% em maio na comparação mensal, informou o IBGE. O resultado veio abaixo da expectativa do mercado — pesquisa Reuters apontava alta de 0,5% — e mostrou uma recuperação modesta após a queda revisada de 1,6% em abril, único resultado negativo do ano até então.

Cinco das oito atividades pesquisadas registraram alta em maio. Destaque para Livros, jornais, revistas e papelaria (15,2%), e ganhos em Tecidos, vestuário e calçados (3,1%) e Móveis e eletrodomésticos (2,7%), todos com desempenho associado à demanda por produtos da Copa do Mundo. Também avançaram artigos farmacêuticos (1,4%) e combustíveis (1,1%).

Na outra ponta, caíram Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-1,7%), Hiper e supermercados (-1,5%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,3%). No comércio varejista ampliado — que inclui veículos, material de construção e atacado de alimentos — o volume caiu 0,2% em maio, sinalizando fragilidade fora do varejo restrito.

O quadro combina um mercado de trabalho relativamente aquecido e medidas de estímulo ao consumo com a restrição imposta pela inflação elevada e pelo crédito ainda apertado, mesmo após cortes recentes na Selic. O resultado abaixo do consenso acende alerta sobre a sustentabilidade da retomada do consumo e complica a narrativa de recuperação mais robusta, com implicações fiscais e necessidade de ajustes na estratégia econômica.