A Stone divulgou nesta terça-feira levantamento que mostra avanço de 6,3% nas vendas do varejo brasileiro no terceiro trimestre ante o mesmo período do ano anterior. O Índice do Varejo Stone (IVS) aponta também alta de 1,6% frente ao trimestre anterior; em setembro, as vendas recuaram 0,3% na comparação mensal, mas saltaram 5,4% sobre setembro de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, o comércio registra crescimento de 4,7% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

A expansão em setembro foi puxada por segmentos ligados a consumo imediato: Combustíveis e Lubrificantes lideraram com alta de 13,4%, seguidos por hiper e supermercados, que cresceram 11,9%, e artigos farmacêuticos. Em sentido oposto, setores dependentes de financiamento permaneceram fracos — Tecidos, Vestuário e Calçados caiu 4,4%, enquanto Material de Construção e Móveis e Eletrodomésticos apresentaram recuos leves. Regionalmente, 25 das 27 unidades da federação registraram alta anual, com Roraima, Acre e Amazonas entre as maiores altas; São Paulo cresceu 5,2% e o Rio de Janeiro 3,7%.

A leitura da Stone, reforçada pela composição setorial dos números, é que a renda continua sustentando o consumo dos bens essenciais, mas as condições de crédito ainda limitam a demanda por bens duráveis e segmentos mais ligados a financiamento. Esse padrão de crescimento concentrado complica a narrativa oficial de uma retomada ampla: há ganho real para o varejo, mas a fragilidade do crédito e a dependência da renda para itens de primeira necessidade reduzem o efeito multiplicador na economia.

Do ponto de vista empresarial e de política econômica, os dados sugerem uma recuperação com teto; varejistas intensivos em duráveis precisam ajustar estratégias comerciais e de financiamento, enquanto formuladores de política pública enfrentam o desafio de transformar ganho de renda em uma expansão de consumo mais abrangente. O IVS, baseado em transações via cartões, voucher e Pix da base da Stone, funciona como um termômetro de curto prazo — útil para acompanhar a dinamicidade, mas não uma previsão automática de tendência sustentável.