A economista Ana Paula Vescovi, ex-secretária do Tesouro Nacional, alerta para um custo pouco visível, mas persistente: a perda de confiança nas instituições brasileiras. Em entrevista, ela afirmou que mesmo sinais econômicos pontualmente positivos são insuficientes quando o ambiente institucional está fragilizado. A credibilidade, segundo Vescovi, influencia diretamente o preço do dinheiro e a disposição do setor privado para investir.

Vescovi lembra que a dívida pública cresceu de forma relevante nas últimas décadas — cerca de 30 pontos percentuais nos últimos 15 anos — e que esse acúmulo torna inevitável um ajuste das contas públicas. O argumento é técnico e político: sem regras claras e previsibilidade institucional, o país paga juros mais altos, o custo de capital sobe e políticas públicas terminam por ficar sufocadas, reduzindo o potencial de crescimento.

Sobre o calendário eleitoral, a economista nota que o debate técnico já circula entre assessores e elaboradores de programas, mas raramente ganha espaço público durante campanhas. Para ela, seria útil que candidatos explicassem, de forma acessível, os limites do Estado e as consequências de escolhas fiscais passadas. A omissão nesse tema alimenta a desconfiança e dificulta a construção de consensos necessários para recuperar a trajetória fiscal.

Vescovi também aponta problemas estruturais, como gastos vinculados, subsídios e instrumentos parafiscais que permitem despesas fora do orçamento principal, reduzindo transparência e disciplina. O receituário que ela defende não é apenas cortador de custos, mas um esforço institucional: unir poderes públicos e setor privado em torno de responsabilidade fiscal para aproveitar oportunidades externas e reduzir o prêmio de risco que hoje penaliza investimentos no Brasil.