A vistoria prévia, etapa que costumava travar a contratação de seguros automotivos, passou a ser feita por fotos tiradas pelo próprio motorista. Insurtechs como a Loovi, que comercializa planos da LTI Seguros S.A. — autorizada pela SUSEP — transformaram um processo que exigia agendamento e deslocamento em uma jornada de minutos pelo smartphone.

No modelo descrito pelas empresas, a captura é guiada pelo aplicativo e a avaliação usa visão computacional e inteligência artificial para verificar condições do veículo. Segundo o sistema, a vistoria do cliente pode levar cerca de cinco minutos e a proteção entra em vigor após aprovação da análise e confirmação do pagamento.

Do ponto de vista técnico e regulatório, as empresas afirmam adotar criptografia ponta a ponta e tratamento de dados conforme a LGPD, além de observância às diretrizes da SUSEP. A automatização permite refazer fotos defeituosas no instante em que a IA sinaliza problemas, evitando a repetição de todo o cadastro.

O avanço reduz custos operacionais e barreiras logísticas, ampliando o alcance de ofertas para motoristas fora dos grandes centros. Ao mesmo tempo, pressionará modelos tradicionais de distribuição e postos credenciados, forçando seguradoras e corretores a reaprenderem sua proposta de valor.

A novidade traz ganhos claros de eficiência, mas também aponta para desafios: consumidores precisam checar cláusulas da apólice e os mecanismos de validação; reguladores e mercado devem acompanhar sinais de fraude e práticas comerciais. A adoção tecnológica é irreversível, mas depende de transparência e fiscalização para entregar benefício real ao cidadão.