Vitória democrata na disputa pelo Congresso dos EUA deve ampliar a pressão política sobre as tarifas anunciadas por Donald Trump, mas não significa retorno automático das medidas.

Os democratas conquistaram maioria na Câmara e no Senado nas eleições de meio de mandato de terça-feira (3), instalando um cenário de governo dividido para os dois últimos anos do mandato. Comandando comissões, eles terão mais espaço para questionar novas tarifas, exigir explicações sobre negociações e abrir investigações sobre decisões da Casa Branca.

A tendência com a nova configuração do Congresso é que haja mais pressão em Donald Trump, não só em relação à política econômica, mas também em relação à política comercial

Para José Pimenta, colunista do CNN Money e sócio da BMJ Consultoria, a expectativa é de maior cobrança do Legislativo: “A tendência com a nova configuração do Congresso é que haja mais pressão em Donald Trump, não só em relação à política econômica, mas também em relação à política comercial”. Pimenta acrescenta: “Se Trump vier a colocar novas tarifas ou formar novas coalizões, tentar novos acordos, os democratas hoje, com a maioria, vão assumir novas comissões e tendem a questionar medidas”. A resistência do partido já apareceu no caso brasileiro: em julho de 2025, 11 senadores democratas disseram ser “claro abuso de poder” a tarifa de 50% anunciada contra o Brasil, argumentando que ela elevaria custos para famílias e empresas nos EUA.

Ainda assim, a autonomia do presidente não desaparece. O poder de veto complica tentativas imediatas de reverter políticas. Na visão de José Niemeyer, professor do Ibmec-RJ, Trump deverá sofrer mais pressão em temas domésticos, mas manterá protagonismo nos assuntos externos: “Trump será mais questionado nos temas que envolvam a política doméstica dos Estados Unidos. Nos temas internacionais, penso que Trump ainda mostrará uma postura de autonomia e assertividade”. Analistas apontam que a combinação de fiscalização ampliada e custos políticos, inclusive na perspectiva de 2028, pode levar a um comportamento mais negociador ao longo do restante do mandato.