A Telefônica Brasil, dona da marca Vivo, anunciou a oferta de crediário para a venda de smartphones, acessórios e outros eletrônicos nas suas cerca de 1,8 mil lojas e no aplicativo. O parcelamento chega a até 21 vezes e foi desenhado para atrair consumidores sem cartão de crédito ou com limite estourado, elevando o tíquete médio e o mix de produtos vendidos.
A novidade aproveita a base de dados da operadora — mais de 100 milhões de usuários — para consultas de CPF e telefone que geram limites pré-aprovados na hora da venda. A expectativa oficial é de um 'avanço significativo' nas vendas a partir de 2026, sem metas publicadas. Hoje a receita líquida com produtos é de R$ 3,9 bilhões por ano, cifra que dá dimensão do potencial comercial do movimento.
Nossa meta é permitir que consumidores sem cartão de crédito comprem smartphones com a Vivo.
O crediário será operado pelo braço financeiro Vivo Pay, que já atua com empréstimos, antecipação de FGTS, consórcios e seguros. Desde 2024 a empresa tem autorização do Banco Central para funcionar como Sociedade de Crédito Direto (SCD) e estruturou operações com um FIDC subscrito pela Polígono Capital — joint venture do BTG Pactual com a Prisma. A própria Vivo indica que os juros do novo financiamento não foram divulgados.
Do ponto de vista de mercado, a estratégia transforma a operadora em competidora mais direta do varejo tradicional: a receita atual de produtos da Vivo corresponde a cerca de 13% do faturamento das Casas Bahia e 10% da Magalu. O crediário também pode aproveitar a capilaridade das lojas para ganhar participação em cidades menores, onde a rede muitas vezes funciona como referência local de comércio de eletrônicos.
Há ganhos claros em diversificação de receitas e estímulo à renovação de aparelhos — hoje a troca média ocorre a cada três anos, ciclo mais longo que no passado. Mas a iniciativa traz riscos: exposição a inadimplência, necessidade de revelar custos financeiros aos consumidores e potencial atrito com varejistas locais. A operação será um teste da capacidade da Vivo de conciliar expansão comercial com gestão de risco de crédito e compliance regulatório.
Hoje cerca de 40% dos compradores de smartphone também contratam seguro; o crediário tende a ampliar essa venda.