O “índice do medo” da bolsa brasileira, o S&P/B3 Ibovespa VIX, que mede a volatilidade implícita esperada para os próximos 30 dias, registrou novo recorde ao encerrar a sessão em 32,06 pontos — alta de 0,7% ante a véspera, quando já havia fechado em 31,84. É a primeira vez que o indicador supera a marca de 32 pontos desde a sua criação, em março de 2024, num sinal claro de nervosismo entre agentes às vésperas das eleições gerais.

A elevação do VIX ocorre num ambiente em que a corrida entre os candidatos principais aparece mais competitiva, e é alimentada por fatores externos: a escalada do conflito no Oriente Médio e a pressão dos preços do petróleo, que ampliam a preocupação com inflação global. Praças na Ásia e na Europa fecharam majoritariamente no vermelho, e Wall Street seguia em terreno negativo próximo ao fechamento da sessão, amplificando o movimento de aversão ao risco.

O movimento de volatilidade coexiste, no entanto, com sinais díspares no Brasil: o Ibovespa subiu 0,46%, terminando aos 183.827,59 pontos, enquanto o dólar caiu 0,25%, a R$ 5,213 (com máxima intradiária acima de R$ 5,24). Essa divergência mostra que, apesar do aumento da percepção de risco, parte do mercado procura oportunidades ou ajusta posições diante da oscilação de sinais locais e globais.

Na prática, um VIX mais elevado encarecerá hedges e pode aumentar o prêmio de risco exigido por investidores, afetando custo de capital e decisões de alocação no curto prazo. Para candidatos, governo e gestores, o dado acende alerta: a volatilidade pergunta pelo impacto das incertezas sobre confiança e custos financeiros. Em poucas semanas, a evolução do indicador vai influenciar estratégias de proteção de carteira e poderá repercutir em preços de ativos se o cenário político e geopolítico permanecer tenso.