O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira que espera a votação ainda esta semana do projeto que autoriza o uso de receitas extras com petróleo para reduzir tributos sobre combustíveis. A declaração foi dada após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e marca a tentativa do Planalto de acelerar a tramitação diante da pressão por alívio nos preços.
Durigan disse ter conversado também com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pedindo celeridade, e ressaltou entendimento com a relatora da matéria, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), sobre a necessidade de não ampliar o escopo do texto neste momento. A mensagem é clara: o governo busca viabilizar a medida com rapidez para evitar desgastes políticos e sinais de incerteza ao mercado.
Na mesma manhã, o ministro se reuniu com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, para analisar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a empresa e o mercado interno de combustíveis. Durigan afirmou manter interlocução com ministros da Fazenda de outros países, apontando um receio de que o conflito se prolongue e justificando a urgência de um respaldo legal para usar recursos extraordinários como amortecedor do choque de preços.
A proposta — usar ganhos adicionais com petróleo para reduzir tributos sobre gasolina e etanol — oferece alívio de curto prazo ao consumidor, mas acende alerta fiscal: receitas extraordinárias costumam ser voláteis e sua destinação permanente pode criar expectativas difíceis de sustentar. Politicamente, a medida reduz um risco imediato ao governo, mas pressiona deputados e senadores a escolher entre resposta rápida à inflação de combustíveis e cautela fiscal diante da incerteza internacional.