Os principais índices de Wall Street fecharam em queda na terça-feira (28), refletindo uma combinação de aversão ao risco em tecnologia e uma alta significativa nos preços do petróleo. O Dow Jones cedeu 0,05% para 49.141 pontos, o Nasdaq recuou 0,90% para 24.663 pontos e o S&P 500 perdeu 0,49%, a 7.138 pontos. Movimentos contrastantes em megacap e bens de consumo ilustram a rotação entre setores em um mercado sensível a notícias macro e geopolíticas.
O petróleo subiu com força: o WTI para junho avançou 3,69%, a US$ 99,93 o barril, e o Brent para julho teve alta de 2,66%, a US$ 104,40. Analistas destacaram que fatores de oferta física e temores sobre o Estreito de Ormuz sustentaram o movimento. A decisão anunciada pelos Emirados Árabes Unidos de se retirar da Opep a partir de 1º de maio acrescenta uma camada de incerteza sobre coordenação entre produtores.
No front tecnológico, reportagens do Wall Street Journal indicaram que a OpenAI não atingiu metas internas de usuários semanais e de receita, reacendendo dúvidas sobre a capacidade de sustentar altos investimentos em data centers. O efeito foi sentido em provedores de nuvem e fabricantes de chips: Oracle caiu mais de 4%, Nvidia recuou 1,61%, AMD 3,41%, Arm mais de 7% e Broadcom 4,38%. A perspectiva eleva a volatilidade em plena semana de balanços das maiores de tecnologia, com Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft apresentando resultados na quarta e Apple na quinta.
O cenário mistura risco geopolítico — com menções ao Irã e à possibilidade de impacto no tráfego pelo Estreito de Ormuz — e sinais de esfriamento em expectativas de crescimento em IA. Para o investidor e para o Fed, o salto do petróleo reaparece como fator capaz de reaquecer pressões inflacionárias e complicar a leitura sobre juros, ainda que a expectativa seja de manutenção da taxa básica na reunião desta quarta-feira. Em curto prazo, a combinação tende a reforçar cautela em ativos de maior risco e a exigir monitoramento próximo dos balanços e dos desdobramentos no Oriente Médio.