Os principais índices de Wall Street fecharam em queda nesta sexta-feira (15), em reação à forte alta do petróleo e ao avanço dos rendimentos dos títulos. O Dow Jones caiu 1,07%, para 49.526 pontos; o Nasdaq recuou 1,54%, a 26.225 pontos; e o S&P 500 perdeu 1,24%, a 7.408 pontos. A movimentação interrompe parte do rali recente e mostra que os mercados ficaram mais sensíveis a sinais de pressão inflacionária.

O rendimento do Treasury de 10 anos alcançou a máxima desde maio de 2025, acompanhando elevações em títulos globais diante das evidências de impacto econômico da guerra no Oriente Médio. A ferramenta FedWatch do CME estimou em cerca de 40% a probabilidade de alta de 25 pontos-base pelo Federal Reserve em dezembro — salto relevante frente aos 13,6% de uma semana antes. O momento de transição na liderança do Fed, com o mandato de Jerome Powell terminando e Kevin Warsh assumindo, adiciona incerteza à leitura do mercado sobre a trajetória de juros.

O petróleo foi o gatilho imediato: o WTI para julho subiu 4,23%, a US$ 101,02 o barril, e o Brent avançou 3,35%, a US$ 109,26 — altas que resultaram em ganhos semanais de 5,89% e 7,87%, respectivamente. Declarações do presidente Donald Trump sobre o Estreito de Ormuz e a retomada de tom militar contra o Irã reacenderam temores de novos choques de oferta, elevando preços e fortalecendo o canal de transmissão para inflação ao consumidor.

Entre os destaques, a Microsoft subiu 3,1% com a entrada do hedge Pershing Square, enquanto a Ford caiu 7,5% após forte oscilação nas sessões anteriores. Em conjunto, os movimentos apontam para aumento de volatilidade e custo de financiamento para empresas e governos. Para além das leituras diárias, a combinação de petróleo mais caro e rendimentos mais altos complica a narrativa de recuperação confortável: pressiona margens, aperta espaço fiscal e obriga autoridades monetárias a repensar o ritmo de normalização dos juros.