Os principais índices de Wall Street fecharam sem direção única nesta terça-feira (12) após a divulgação de um aumento inesperado dos preços ao consumidor e o agravamento das tensões no Oriente Médio. A fraqueza do setor de tecnologia foi a principal responsável pelo recuo do Nasdaq, enquanto ganhos no setor de saúde ajudaram o Dow Jones a terminar em leve alta. O dia reforça a combinação de fatores macro e geopolíticos que tem gerado volatilidade nas bolsas.

O índice de preços ao consumidor dos EUA subiu 0,6% em abril, sucedendo alta de 0,9% em março, e elevou a variação anual para 3,8% — o maior avanço desde maio de 2023. Os números renovam dúvidas sobre o chamado retorno sustentado da inflação à meta e complicam o quadro para o Federal Reserve. Mercados já reajustaram as probabilidades: a ferramenta FedWatch da CME aponta cerca de 30,5% de chance de um aumento de 25 pontos-base em dezembro, ante 21,5% um dia antes.

No front geopolítico, a escalada entre EUA e Irã manteve operadores em alerta. Fontes relataram que o presidente Donald Trump vê o cessar-fogo com o Irã 'respirando por aparelhos' e considera retomar operações de combate; o Estreito de Ormuz segue fechado. O petróleo reagiu de forma pronunciada: o WTI para junho subiu 4,19%, a US$ 102,18 por barril, e o Brent encerrou a US$ 107,77, chegando a US$ 108,45 na máxima do dia. A Saudi Aramco alertou que, se o estreito não reabrir em semanas, o mercado só se normalizará no ano que vem.

No nível das empresas, a Humana avançou 7,7% após revisão positiva de preço-alvo, enquanto a GameStop caiu 3,5% depois de notícia sobre rejeição de oferta. O Senado aprovou Kevin Warsh para a diretoria do Fed, informação que passa ao pano de fundo institucional. Para investidores e formuladores de política, o recado é claro: a combinação de pressão inflacionária e risco de oferta de petróleo eleva o custo de incerteza e complica a busca por equilíbrio entre crescimento e ancoragem de preços.