Os principais índices de Wall Street fecharam sem direção única nesta quarta-feira após divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) dos EUA, que subiu 1,4% em abril — o maior avanço desde março de 2022. O número, acima do esperado, reafirma sinais de aceleração da inflação e acende alerta para o Federal Reserve sobre a necessidade de manter uma política monetária restritiva.

Apesar do dado preocupante, S&P 500 e Nasdaq renovaram máximas históricas, sustentados pela forte alta de ações de tecnologia ligadas à inteligência artificial. O desempenho das gigantes do setor permitiu ao mercado digerir temporariamente o aumento da probabilidade de juros mais altos, mas não elimina a tensão: dirigentes do Fed já avisaram que novas altas podem estar no radar caso pressões inflacionárias persistam.

No front político-institucional, a confirmação de Kevin Warsh pelo Senado para suceder Jerome Powell altera o xadrez do banco central e pode influenciar expectativas sobre a condução de juros. Paralelamente, a comitiva liderada por Donald Trump em Pequim — com CEOs como Jensen Huang, Elon Musk e Tim Cook — acrescenta camada geopolítica à cena: negociações e fricções com a China têm potencial para repercutir nas cadeias de oferta e nas avaliações de risco das empresas.

Os mercados também registraram queda nos preços do petróleo, com WTI e Brent recuando mais de 1%, mesmo diante da guerra no Oriente Médio. O quadro atual expõe uma contradição que complica a narrativa oficial de estabilidade: índices em alta sustentados por um punhado de papéis versus sinais macroeconômicos que pressionam custos e expectativas de juros, cenário que exige atenção de investidores e formuladores de política.