Investidores promoveram uma venda generalizada de ativos na sexta-feira (5): o S&P 500 caiu 2,64%, seu pior dia desde outubro, e interrompeu uma sequência de nove semanas de ganhos; o Nasdaq Composite recuou 4,18%, a pior sessão desde abril de 2025; o Dow Jones caiu 695 pontos (‑1,35%). O VIX subiu 40%, atingindo o nível mais alto em dois meses — sinal claro de aversão ao risco.
O gatilho foram dados do mercado de trabalho: a economia dos EUA criou 172 mil empregos em maio, acima do consenso. Esses números reforçam a perspectiva de que o Federal Reserve priorizará a batalha contra a inflação, elevando a probabilidade de alta de juros no fim do ano (43% para dezembro, ante 26% há um mês, segundo o CME FedWatch). A taxa do Treasury de 10 anos saltou para 4,54%, encarecendo o custo de capital e pressionando preços de ativos sensíveis a desconto futuro.
O setor de tecnologia, em especial ações ligadas à inteligência artificial e semicondutores, amplificou as perdas. Fundos de memória recuaram cerca de 15% e a Broadcom, após prever receita abaixo do esperado, viu suas ações despencarem (‑12,59% na quinta e ‑7,92% na sexta). O episódio evidencia que movimentos parabólicos em nomes de IA eram precificados para perfeição — e que orientações moderadas podem desencadear reversões rápidas.
Criptoativos também sentiram o aperto: o bitcoin caiu mais de 5% e voltou a ficar abaixo de US$ 60.000, seu menor nível desde outubro de 2024, acumulando queda superior a 17% na semana. Investidores estão realizando lucro após rali recente; a retirada de posições por players institucionais pesou na dinâmica. Para mercados e gestores, a combinação de dados fortes de emprego e sinais de desaceleração operacional em empresas de tecnologia amplia a probabilidade de mais volatilidade e encarece prazos de financiamento, com impacto direto em avaliação de ações e ativos de risco.