As bolsas de Nova York fecharam em leve queda na sexta-feira (14), encerrando uma semana que teve mais momentos de alta do que de baixa. O Dow Jones caiu 0,20% (53.732,41 pontos), o S&P 500 recuou 0,17% (7.785,76 pontos) e o Nasdaq perdeu 0,28% (26.729,16 pontos). Depois de dados de inflação americanos mais brandos favorecerem a ideia de menor pressão por elevação de juros, uma nova alta no preço do petróleo e notícias corporativas importantes forçaram os investidores a reavaliar o cenário.

No centro das atenções estiveram os gastos com inteligência artificial. O Goldman Sachs projeta investimentos nos EUA próximos de US$ 600 bilhões em 2026 — cerca de 2% do PIB americano — e estudos mostram que despesas com IA representaram mais de 10% do investimento fixo empresarial em trimestres recentes. O Bank of America estima que o pico de investimentos das maiores provedoras de nuvem ocorrerá em 2026, com crescimento ainda robusto previsto para 2027 (39%). Trata-se de um volume que sustenta expectativas de ganho de produtividade, mas também pressiona decisões de alocação de capital e o balanço das empresas.

Movimentos corporativos ajudaram a moldar o pregão: a Apple, em parceria com o Alibaba, treina um modelo de linguagem voltado ao mercado chinês — ação que teve repercussão discreta (+0,22% para as ações). No setor aeroespacial, a Bloomberg noticiou que a start-up Stoke Space Technologies busca US$ 1 bilhão para desenvolver um foguete totalmente reutilizável, potencialmente elevando a concorrência para a SpaceX — cujas ações recuaram 0,91%. A Tesla apresentou uma versão voadora do Roadster operada remotamente, e seus papéis subiram 0,68%.

No plano político-econômico, a ordem do presidente norte-americano para tarifas de até 100% sobre certos drones e componentes visa segurança nacional e fortalecimento de cadeias, mas tende a encarecer fornecedores e operadores domésticos. Em conjunto, a alta do petróleo e os megagastos em IA complicam a narrativa otimista baseada apenas em inflação mais baixa: custos estratégicos e riscos geopolíticos colocam novas variáveis na avaliação do Fed e nas perspectivas de lucro das empresas, deixando claro que a semana de ganhos chega ao fim com mais incertezas do que se previa.