Os principais índices de Wall Street encerraram a sessão desta quinta-feira em máximas históricas, numa rodada marcada por uma combinação de alívio geopolítico e resultados corporativos. O Dow Jones fechou em 50.668 pontos, o Nasdaq em 26.917 pontos (com pico intradiário a 26.934) e o S&P 500 em 7.563 pontos (atingindo 7.568 durante o pregão). A alta foi impulsionada pela notícia — citada por autoridades americanas à CNN — de um memorando provisório que permitiria prorrogar o cessar‑fogo por 60 dias e suspender restrições no Estreito de Ormuz, embora o presidente Donald Trump precise aprovar o texto.

O quadro macro trouxe sinais mistos que limitam a euforia. O índice de preços pessoais de consumo (PCE) acelerou em abril ao maior ritmo em três anos, pressionado por custos de energia em meio ao conflito com o Irã. Ao mesmo tempo, o PIB dos EUA no primeiro trimestre foi revisado para baixo, para avanço anualizado de 1,6%, e pedidos iniciais de auxílio‑desemprego registraram leve alta. No mercado de commodities, o petróleo WTI para julho fechou a US$ 88,90 o barril e o Brent para agosto a US$ 92,70, refletindo ainda tensões regionais.

Entre os motores específicos do pregão estiveram resultados e guias empresariais. A Marvell Technology subiu mais de 3% após divulgar resultados do primeiro trimestre. A Snowflake disparou mais de 36% ao elevar sua previsão de receita anual de produtos e anunciar um acordo de infraestrutura de IA de cinco anos com a Amazon Web Services, avaliado em cerca de US$ 6 bilhões — a própria Amazon avançou 0,78%. A Eli Lilly avançou cerca de 4% depois que a CVS Health informou a restauração da cobertura para a injeção Zepbound e a inclusão da pílula Foundayo.

Apesar dos recordes, o movimento tem natureza de alívio momentâneo: a agência iraniana Tasnim afirmou que o texto do possível memorando ainda não foi finalizado ou confirmado, e fontes citam que questões complexas sobre o programa nuclear permanecem por resolver. A pressão de integrantes do próprio partido republicano sobre o presidente americano, que pedem atenção imediata ao programa nuclear, também adiciona risco político à ratificação do acordo. Em suma, os mercados celebram o recuo do risco imediato, mas a combinação de inflação mais alta, revisão do PIB e incertezas diplomáticas mantém a volatilidade e limita a consolidação de uma tendência sustentável.